End of Journey

O sistema de som do métro (pronuncia-se métro, com acento agudo no é) da cidade do Porto avisa sobre suas paragens em português em inglês. Diz a voz metálica: “Próxima paragem: aeroporto. Fim de linha.” Para logo em seguida vir o aviso em inglês: “Next stop: airport. End of journey”. Fim da jornada, seria outra tradução possível para a frase em inglês, e muito própria a este momento.

Sempre que ouvia esse aviso no metro me remetia, mentalmente, a um dos melhores episódios de Doctor Who, série inglesa que aprecio muito. “End of journey”, foi o episódio que foi ao ar no natal de 2009 e que marcou a pré-despedida de David Tennant do papel. No episódio seguinte, morria o Doutor, para renascer outro. No episódio da morte do Doutor, diz o Odd na hora agonizante, enquanto canta para seu adormecer, momentos antes de sua partida “Essa canção termina, mas a história nunca acaba”. Morte e renascimento. Esta canção termina. End of journey.

Quando planejei esta viagem de dois meses na estrada, pensei que voltaria à Portugal e só então me despediria de facto dessa terra. Percebo agora que minha despedida já foi. Despedi-me de meus queridos amigos, pessoas fantásticas que conheci aqui. Despedi-me de todos, do apartamento da Areosa onde vivi por cinco meses. Esvaziei gavetas e guarda-roupa. Ver as minhas gavetas, sempre tão absurdamente bagunçadas, vazias, deu verdadeiramente o sentimento de despedida, tal como se, como o espaço físico, também vazio estivesse o espaço simbólico. Este não está, pois carrego as pessoas em meu coração e memória. As coisas deixadas em malas; ainda retorno para apanhar apanhá-las, mas então todos já terão partido. Uma casa vazia, é o que encontrarei, tal como Carlos da Maia ao visitar pela última vez a casa da família. Apenas um epílogo.

Despeço-me de Portugal. Mas, sabe, o título dessa postagem está errado. Este não é o fim da jornada, é apenas o inicio dela. Mesmo depois que retornar e me for, ainda será apenas o inicio da jornada. Esta é a vírgula que representa um intervalo ou a mudança de capítulo, talvez. N’algumas horas estarei em Paris. Começa outro capítulo, outra aventura, outra canção, como a do Doutor. A história não acaba, disse o Odd. Lá vamos nós, ou como dizem os franceses, allons-y.

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Sobre Márcio Carlomagno

Mestrando em Ciência Política. Formado em Comunicação Social e em Gestão Pública. Um curioso e um palpiteiro sobre a sociedade, a política, as artes, e de tudo um pouco.
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