Dois meses, morar

Morar em uma cidade é diferente de visitá-la apenas como turista. Ontem, dia 06, completou dois meses que moro aqui em Portugal, na cidade do Porto.

Morar implica algumas coisas, positivas e negativas. Conhece-se muito melhor o lugar, o “espírito” do lugar, em sua essência, suas pessoas. Mas não se conhece os lugares físicos. Não é o que dizem, que não damos valor ao lugar onde moramos? Creio que nem é questão de valor, mas de costume. Ou “naturalização”, como gostava os antropólogos e marxistas. Hehe.

Passo sempre em frente à Torre dos Clérigos, caminho para a Reitoria e a Faculdade de Direito, onde tenho ido participar dos debates da SdDUP (outro isso escrevo sobre isso), e até hoje não subi lá em cima. Não sou só eu. Quando cheguei, conheci brasileiros que estavam indo embora e antes disso foram fazer seu “passeio turístico”, pois ainda não haviam passado por alguns lugares. Há um poema que fala sobre o olhar e o real enxergar. Estou tentando me lembrar dele, mas não consigo, minha memória não ajuda (daqui uns dias, quando vier à mente de repente, num estalo, faço uma edição no post e o coloco abaixo), que fala um pouco sobre como nosso olhar se acostuma e não damos valor ao que passamos em frente todo dia.

Mas também há seu lado bom. A Ribeira, por exemplo, um dos cartões-postais do Porto, senão o principal. Turistas vão nela de dia, tiram fotos, vão embora, mas muitas vezes é só uma paisagem sem significado. Ainda não tirei nenhuma foto “turística” na Ribeira, mas vamos lá toda noite/madrugada de segunda-feira, dia da festa na Ribeira. Agora imagine a música e as pessoas a confraternizar, à beira daquele cais, com o Rio D’ouro ali a literalmente dois passos. É incrível, viver, não apenas passear.

O tempo passa rápido, disseram-me todos que já passaram por essa experiência. De fato, veja só, passa muito rápido. Dois meses já se foram. Tem sido uma experiência interessante por possibilitar conhecer algo que é diferente, mas não é assim tão diferente. Ver que ambos somos influenciados pelos Estados Unidos (e o repudiamos em conjunto), mas ao mesmo tempo nos influenciamos mutuamente, um ao outro. É ótimo experimentar novos sabores e comidas, conhecer novos lugares (embora depois do terceiro castelo, todos pareçam um tanto iguais), mas principalmente estar com pessoas interessantes e instigantes. A um terço do caminho (a principio), Porto tem sido boa.

Anúncios

Sobre Márcio Carlomagno

Mestrando em Ciência Política. Formado em Comunicação Social e em Gestão Pública. Um curioso e um palpiteiro sobre a sociedade, a política, as artes, e de tudo um pouco.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s