Igreja e Estado

GUIMARÃES – Igreja e Estado já se separam faz um bom tempo. Nalguns lugares mais, noutros menos. Mas ainda temos visíveis, perante nossos olhos, em todo o mundo, sinais e símbolos dessa imiscuência que perdurou durante séculos.

Em Braga já havia notado isso. Lá, o prédio da Câmara Municipal é colado, parede a parede, com a Igreja da cidade (uma das muitas), bem na praça principal. Não sei de Braga, mas talvez os prédios tenham sido construídos antes da separação de Estado-Igreja. Embora pareçam relativamente novos e eu creio que não, posso dar-lhe este crédito. Algo análogo ocorre em Guimarães, na praça do Tribunal de Justiça.

O Tribunal de Justiça da cidade é um prédio bonito e imponente. Tem em sua frente gravado “Domus Ivstitia”, ou seja, a “Casa de Ivstitia” Esta é a deusa grega da justiça, aquela famosa, retratada ao redor de todo o mundo, inclusive no Brasil, com olhos vendados, a balança da justiça e a espada na mão. Ivstitia também é interpretada como a própria justiça, logo, “Casa da Justiça”. Belíssimo. No entanto, essa justiça gosta de ostentar alguns símbolos. Logo em frente ao Tribunal, há uma estátua, intitulada “Condessa Mumadona. 1960”. A estátua da tal condessa empunha em sua mão uma cruz. Ok, é somente uma estátua na mesma praça, não está no tribunal, mas oras, está na praça em frente ao tribunal. Não há como negar o contexto e a inter-relação que daí se infere. O que também chama a atenção é a data. 1960, não assim tão distante. Relativamente recente. É para pensar.

Não estou dizendo que deveria ser diferente, que a estátua deveria ser retirada ou nem sequer posta. No Brasil, ano passado, houve uma “polêmica”, na verdade uma bobagem, análoga a esta. Queriam retirar os crucifixos dos órgãos públicos. Uma bobagem. O povo (qualquer povo) se constrói, quer queira ou não, sobre história que em geral está ligada a uma religião e seus símbolos, e estes não devem ser negados. A Justiça não deve levar essas questões em conta na hora de julgar, mas a estátua com a cruz, ou o crucifixo na parede, não matam ninguém. Contudo, servem, isso sim, para se refletir a respeito de, como diria o velho Marx, nossa construção histórica.

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Sobre Márcio Carlomagno

Mestrando em Ciência Política. Formado em Comunicação Social e em Gestão Pública. Um curioso e um palpiteiro sobre a sociedade, a política, as artes, e de tudo um pouco.
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