Os impostos em Portugal e no Brasil (Ou: Como cobrar impostos)

Esse texto não expressa necessariamente a integralidade de minha opinião (sobretudo no que se refere a enganar a população), mas assume um “lugar de fala”. Lugar de fala do conselheiro do príncipe e dos interesses do político. Esta é sua intenção.

Os impostos em Portugal e no Brasil (Ou: Como cobrar impostos)

Há decerto muito que o Brasil possa aprender com Portugal, assim como o oposto é verdadeiro, há muito que Portugal tem a aprender com o Brasil. Vivendo aqui em Portugal, percebi um exemplo palpável e gritante desse segundo caso, no que diz respeito à cobrança de impostos.

Sabemos pela ciência do príncipe que os impostos devem ser invisíveis. Eles não podem ser sentidos ou percebidos pela população. Esta, se possível, sequer deve saber que os paga. Isso não é invenção brasileira, mas lição de Maquiavel. Contudo, lição que os brasileiros aprenderam muito melhor do que os portugueses.

Como dizem que a imagem fala mais que palavras (isso é pra lá de contestável), veja só o que há aqui em Portugal:

Um ministério dos impostos!!!!!

Agora veja o que isso provoca:

 

Filas!

Pessoas tem que dirigir ao departamento dos impostos e enfrentar filas para os pagar! E pior, elas tem que fazer isso constantemente, para inúmeras coisas, ou mesmo, quando é o caso, pedir isenção de pagamento (como o análogo ao IPTU brasileiro, para casas de baixa renda, por exemplo). Mas não é uma coisa que vão uma vez por ano, é algo que enfrentam sempre. Seja para o carro, a casa, ou sei lá mais o quê. Há dois meses passo em frente a esse prédio (é meu caminho para a faculdade) e está sempre cheio.

Pode até ser mais eficaz administrativamente (não sei se é ou não), e mais “honesto” com a população, uma vez que ela sabe o imposto que paga, mas é o oposto do que deve fazer um político. Depois os políticos portugueses ainda não sabem o por quê da revolta dos cidadãos.

Todos reclamam dos altos impostos. Também pudera, eles sabem que o pagam! Nada como nosso sistema brasileiro (que, por sinal, salvo engano, cobra impostos mais altos do que os de Portugal), talvez um dos melhores do mundo nesse sentido que estou abordando aqui. Imposto na fonte, sobre a mercadoria, sobre a transação bancária, invisível. Mais justo ou injusto, não importa muito. Mais eficaz, politicamente. Isso não é segredo, mas coisa que qualquer um sabe no Brasil. Em Portugal, ainda não aprenderam como cobrar bem os impostos. Em silêncio, é a resposta correta.

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Sobre Márcio Carlomagno

Mestrando em Ciência Política. Formado em Comunicação Social e em Gestão Pública. Um curioso e um palpiteiro sobre a sociedade, a política, as artes, e de tudo um pouco.
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3 respostas para Os impostos em Portugal e no Brasil (Ou: Como cobrar impostos)

  1. Pingback: Os impostos em Portugal e no Brasil (Ou: Como cobrar impostos) | Info Brasil

  2. bertoni disse:

    Márcio,

    Se imposto fosse bom se chamaria contribuição, doação, ação entre amigos, etc, mas como não o é deve ser imposto, de cima para baixo, cobrado arbitrariamente, independentemente de tua vontade ou capacidade de pagá-lo.

    O Brasil aprendeu a cobrá-los com os invasores portugueses. O Estado moderno brasileiro é invenção do portugues D. João VI, sua corte e esperteza para cima de Napoleão, que reconheceu ter sido o rei portugues a única pessoa a enganá-lo. Noves fora, todas as instituições brasileiras tem suas origens na famosa vinda da família real ao Brasil em 1808. Imprensa, faculdades, manufaturas, portos, bancos, etc, começam de fato aí e seguem até hoje…

    Desculpe-me se sou rude, mas a diferença na cobrança de impostos apontada por você é a igual a escolher entre levar a seco ou com vasilina. De uma forma ou de outra levarás a pior.

    Todo sistema de imposto é injusto por si. Mas o brasileiro taxa o mais pobre e dá isenções mil aos mais ricos, comprovando toda a verdade contida no hino a internacional (http://www.culturabrasil.org/internacional.htm), aliás traduzida no Brasil pelo anarquista portugues Neno Vasco, o blogueiro progressista da década 1910 em São Paulo.
    O crime do rico a lei o cobre

    O Estado esmaga o oprimido

    Não há direito para o pobre

    Ao rico tudo é permitido.

    Boa noite! Agora vou comer um peixinho que acabei de pescar no Rio Belém da Ecológica capital paranaense, Curitiba. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  3. Jwps disse:

    Márcio

    Estou precisando de sua ajuda!

    Estou precisando responder uma pergunta aqui para um trabalho:

    Os impostos:
    a. não afetam os critérios de seleção dos investimentos.  
    b. afetam os critérios de seleção de investimentos, já que supõem pagamentos inferiores.  
    c. afetam os critérios de seleção de investimentos, já que supõem pagamentos superiores.  
    d. há determinados impostos que não afetam os critérios de valoração de investimentos.  

    Aqui no Brasil seria letra d)

    Em Portugal é assim também tem imposto que incide e tem outros que não? Ou seria outra alternativa?
    Se puder me manda resposta no profjwps@gmail.com

    ATt

    JW

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