Texto sobre política externa americana e noções de desenvolvimento

Texto concebido para aula de “Sociedades contemporaneas, globalização e mudança social”, com a função de colocar questões para iniciar o debate em torno do tema “política externa americana, bipolarização ideológica e noções de desenvolvimento”.

————–

A partir do contexto da guerra fria, com a biloralização ideológica, nomeadamente a política externa norte-americana adotou um caráter expansionista. O colonialismo europeu acabou, mas surge então um novo colonialismo. Esse novo colonialismo diz respeito não somente à dependência económica, mas cultural. Os países periféricos alinham-se ideologicamente e culturalmente à um dos dois pólos de influencia. No ocidente, notadamente, ao bloco estadunidense. Os Estados Unidos expandem sua cultura a todo o mundo. O exemplo dado por Malcolm Waters logo no prefácio de seu livro “Globalização” nos serve. A Tasmânia, limiar geográfico do mundo, sofre hoje a influencia do modelo ideológico estadunidense, com Os Simpsons e outros símbolos sendo modelos de referencia.

Celebrou-se recentemente 20 anos do fim da guerra fria, mas as concepções ideológicas permanecem. (como não poderia deixar de ser, afinal, tudo é ideológico. Bakhtin). Sutilmente, subjacentemente, permanece a colonização. Tasmania, Portugal, Brasil, Africa, França e Japão tem todos uma coisa em comum. Os McDonalds nos shppping-centers, os filmes nas telas de cinema e na televisão, o american way of life. Põe-se a questão: tratar-se ia a globalização, assim chamada, um eufemismo, um subterfúgio linguístico para encobrir sua verdadeira face de colonização cultural estadunidense?

 

As noções de desenvolvimento não são imunes ao aspecto ideológico, presente nos conceitos do passado e nos conceitos de hoje.

O primado dos anos 1970 e 1980 do desenvolvimento económico, baseado no crescimento economico e na industrialização (aumento de produção de bens e valores, do PIB, avanço tecnológico, aumento de renda per capita e modernização social) foi hoje substituido por um conceito mais amplo de desenvolvimento.

Mais amplo e difuso. O economista indiano Amartya Sen, prêmio Nobel de economia, defende a ideia de “desenvolvimento como liberdade”. Segundo o autor, “o desenvolvimento consiste na eliminação de privações de liberdade que limitam as escolhas e as oportunidades das pessoas de exercer ponderadamente sua condição de agente”.

Esta é apenas uma das noções modernas de desenvolvimento que têm, em comum, o papel central do indivíduo, da pessoa, do chamado capital humano.  Amartya Sen ainda define que a dignidade humana, a igualdade e a justiça são o próprio desenvolvimento.

Entramos numa era do primado da política social sobre a econômica. As Nações Unidas estipularam os “objetivos do milenio”, com metas a se alcançar até 2015.

Mas devemos nos atentar de que as noções dominantes em cada época atendem a interesses especificos. Nada é sem interesse. Devemos desnaturalizar a nossa visão, termo caro à antropologia. Abandonar a idéia de que nosso pensamento contemporaneo é o certo, ou mesmo mais correto do que os do passado. Estranhar-se e aos seus próprios pensamentos e concepçẽs (Geertz).

O desenvolvimento sustentável, conceito moderno de desenvolvimento que figura dentre os mais abordados, não é, por incrivel que possa parecer, uma verdade absoluta e universal. Se a noção de desenvolvimentismo economico dos anos 70/80 atendia interesses e demandas que hoje nos são claros (mas não eram, necessariamente, para os de então), que interesses são atendidos com o conceito de desenvolvimento sustentável?

Quando se diz que deve-se restringir o crescimento economico de paises agora em desenvolvimento, em prol do meio-ambiente, se está atendendo aos interesses desses países ou daqueles que, já desenvolvidos, temem novos entrantes no mercado? Ou quais outros interesses atenderiam? Esta é uma, dentre muita questões.

Anúncios

Sobre Márcio Carlomagno

Mestrando em Ciência Política. Formado em Comunicação Social e em Gestão Pública. Um curioso e um palpiteiro sobre a sociedade, a política, as artes, e de tudo um pouco.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s