A economia de Portugal e também a do Brasil

PORTO – A economia de Portugal, vocês devem saber, passa por uma crise. Aqui, estou tendo oportunidade de analisar seus aspectos e motivações, sob outro ângulo de análise. Outro dia passei um tempo conversando com uma colega da cadeira de “Sociedades contemporâneas, globalização e mudança social” (sim, esse nome grandão é só uma disciplina) sobre esse tema. Joana, teu nome. Ela teceu algumas considerações bem interessantes.

O povo em Portugal é pessimista e, pode até não parecer, isso se reflete na economia. A economia não é apenas racionalidade numérica mas, como diz nosso grande Delfim Neto, um “estado de espírito”. O povo acha que as coisas estão ruins e irão piorar. Não compram nada, não fazem nada. Tentam guardar o pouco dinheiro que têm. Justamente isso faz com que se crie a crise econômica. Não por si mesma, mas pelo medo e projeção de crise. Se todos guardam dinheiro debaixo de seus colchões, não há dinheiro no mercado e a crise se alastra e aumenta.

Apresentei à minha colega a experiência do Brasil durante a crise econômica de 2008/2009 e seus resultados. Ela conhecia, já fez intercâmbio no Brasil. O governo brasileiro do presidente Lula, quando da crise, fez o oposto do que faz agora Portugal. Em vez de poupar, ampliou-se o crédito. O governo abriu e incentivou abrir novas linhas de crédito. Reduziu impostos sobre produtos industrializados e de construção civil. Investiu pesado em projetos estatais que criavam demanda no mercado. Gastar mais, não economizar, pra fazer o dinheiro girar e movimentar a economia.

Como se vê, a mentalidade é outra, mas os portugueses não a perceberam ainda. Minha colega quer abrir uma empresa e é tida como “errada”, devido à conjunção econômica. Com essa mentalidade e a depender desse fator, Portugal ainda demorará a sair dessa enrascada.

No entanto ela pontuou algo no qual não havia pensado. Alertou que há alguns anos Portugal era como o Brasil de hoje, com crédito muito fácil, e foi isso em parte que levou à atual situação, em que o crédito é virtualmente impossível. É um aspecto para se pensar a respeito do Brasil, afinal, há momentos para cada postura econômica. Talvez o momento do livre crédito e consumo esteja passando e é chegada a hora de uma postura mais austera. Será? Há que se cuidar para não tombar pelo caminho.

Anúncios

Sobre Márcio Carlomagno

Mestrando em Ciência Política. Formado em Comunicação Social e em Gestão Pública. Um curioso e um palpiteiro sobre a sociedade, a política, as artes, e de tudo um pouco.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s