Anotações de uma aula (Sociologia do Poder Político)

“A fonte do poder é função da amplitude da zona de incerteza, que a imprevisibilidade dos atores em questão permite instituir”

Crozier & Friedberg, “O ator e o sistema”

 

Quando falamos em poder, estamos a falar em relações sociais. Mas não é algo coisificável, que se materialize. Como então é estabelecido o conceito de poder?

Para Crozier & Friedberg, o poder é a ação social que é fundamento para a ação organizada. Se prepõem, então, a definir as propriedades do poder.

O poder é uma relação estruturada, que é propulsor da ação social. É também uma relação desequilibrada. Essas desequilíbrios podem ser capitalizados. No desequilibrido das relações de poder, há o espaço da opressão, cada vez mais controlado nas sociedades contemporâneas. Há também a dimensão da negociação, que ganha espaço. O poder é, portanto, uma relação de troca entre ao menos 2 atores.

Essa relação detém algumas características: a) instrumentalidade. A relação de poder é sempre instrumental, visando atingir ao menos um objetivo. b) não-transitividade. Um quadro onde uma relação social se desenvolve pode não ser reproduzível ou migrável a outra. c) reciprocidade/interação. As relações de poder não existem in vitro, implicam o outro. No entanto, é importante frisar que esta é uma troca cujos termos sempre favorece a uma das partes.

E quais os fundamentos para entender essa troca? Possibilidade de ação, é o objeto da troca. Margens de liberdade, é o que cada um conquista para si, até onde pode atuar. Grau de previsibilidade do comportamento é o último elemento. Quanto mais previsível o comportamento do ator, menor a possibilidade de ação, e vice-versa.

A incerteza (que remete à previsibilidade), que está intrínseca nas relações sociais, é uma importante fonte de poder. Existem 4 grandes zonas de incerteza: 1) o domínio de uma competência. Cria possibilidades de ação e margens de liberdade ao ator que o detém. 2) como o ator/organização se relaciona com outras organizações e ambientes organizacionais. 3) o aspecto comunicacional. Quem controla a comunicação tem poder acrescido. 4) as regras, que comportam sempre à sua volta uma margem de manobra.

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Sobre Márcio Carlomagno

Mestrando em Ciência Política. Formado em Comunicação Social e em Gestão Pública. Um curioso e um palpiteiro sobre a sociedade, a política, as artes, e de tudo um pouco.
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